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Mariana Brito Neves
@MaryPerson10 |
Mariana Brito Neves, mais conhecida como Mary Person, 26 anos, se encanta pelo futebol desde 1990, ano em que acompanhou sua primeira Copa do Mundo. Aos 13 anos a garota entrou de vez no mundo do futebol, e passou por vários times aqui no Brasil. Mas em 2009 sua vida mudou de rumo. Mary teve a oportunidade de jogar nos EUA, pela equipe do Cochise College, no estado do Arizona. Depois de uma fazer uma boa temporada no time, surgiram vários clubes interessados no futebol de Mary. Ela acabou aceitando a proposta do NMHU - New Mexico Highlands University – onde de quebra conseguiu uma bolsa de estudos. Ja dá pra ter uma noção de que Mary é mais uma dessas guerreiras do futebol, então, o Futebol Calcinha entrou em contato com a jogadora, que topou responder uma entrevista pro Futebol Calcinha, onde conta um pouco dessa sua história, monstrando como a dedicação e o amor por um sonho são capazes de driblar todas as dificuldades.
Futebol Calcinha: 1 - O que foi que despertou seu interesse pelo Futebol? Você se inspirou em algum jogador/jogadora?
Mary: Minha família sempre incentivou a prática do esporte na minha casa. Meu pai era goleiro e acho que esses dois fatores foram determinantes pela minha paixão. Comecei a me interessar por futebol quando assisti a minha primeira Copa do Mundo, no ano de 1990. na ocasião tinha 6 anos, e me encantei com o futebol de Maradona, ele foi meu primeiro grande ídolo no Futebol. Depois quando decidi mesmo ser jogadora, isso com uns 13 anos, a Sissi (ex-capitã da seleção feminina), foi uma grande referência, e até hoje continua sendo.
FC: Qual foi a reação da sua família ao descobrir sua paixão pelo Futebol?
Mary: Minha família foi sensacional comigo quando decidi que queria o futebol como profissão. Minha mãe me alertou para o preconceito que eu certamente encontraria em alguns momentos, mas ao mesmo tempo se fez muito presente. Desde o começo me apoiram muito, torceram se dedicaram junto comigo. Tenho certeza que se não fosse por cada um deles nada disso teria
acontecido.
FC: Você já enfrentou algum tipo de preconceito por gostar de Futebol e praticar o esporte?Mary: O preconceito infelizmente é uma coisa que sempre vai cercar a mulher. Lógico que pelo fato de eu ser jogadora isso pesou um pouco mais. Estaria mentindo ao dizer que nunca fui alvo de algumas gracinhas, mas em contra partida nunca me permiti abater com esse tipo de situação ou atitude. Eu ia pro campo fazia o que eu gostava, ouvia umas piadinhas ai eu voltava pra casa e tinha o carinho da minha família. É isso que conta.
FC: Em quais times já jogastes no Brasil? Como você vê a situação do Futebol Feminino no Brasil?
Mary: No Brasil tive mais experiência no futebol de salão. Passei por clubes do interior de São Paulo, em Campo-Grande - MS, Paraná e Minas Gerais. Tive uma passagem rápida no campo pela equipe da ADJ Jaguariuna, que hoje é São Judas Tadeu-Jaguariuna, mas apos 6 meses la, já me transferi para um time americano. Eu gostaria de dizer aqui que o futebol feminino no Brasil melhorou, e que as coisas são maravilhosas para as atletas que ficaram no Brasil, mas infelizmente não posso. Nosso futebol ainda engatinha no Brasil e eu nao consigo encontrar uma resposta plausível para entender o porque de tanto descaso. Falta tudo! Falta estrutura, falta interesse de quem pode investir, falta patrocínio, falta apoio das emissoras de televisão. Falta acima de tudo respeito. As unicas coisas que sobram no futebol feminino são o amor, a dedicação e a luta dessas muitas guerreiras espalhadas pelos quatro cantos do país, com uma vontade voraz de continuar jogando e perseguir um sonho.
FC: Conta pra gente como você foi parar num time nos EUA, e como se deu o processo de adaptação no país.
Mary: Como eu sempre estive no mundo do futebol, sempre tive contato com muitos treinadores e fiz grandes amigos. Acabou que um técnico brasileiro amigo meu, me apresentou para um técnico americano. Ele se interessou pelo meu futebol e as coisas graças a Deus aconteceram. Falando da minha adaptação, no começo foi bem doloroso e complicado. O fato de estar longe da família, dos amigos, enfrentar o choque cultural em relação a idioma, comida e até no jeito dos americanos de serem. Mas eu me preparei muito, foquei realmente nos objetivos e fui paciente. As coisas vão sempre se ajeitando com o tempo e acontecendo como devem acontecer.
FC: Já recebestes quantos títulos no Futebol?
Mary: Graças a Deus tive uma carreira vitoriosa,ganhei titulos com todos os times que joguei no Brasil.Fico orgulhosa de poder dizer que hoje ja não sei ao certo quantos foram.Longe de querer ser arrogante com essa declaração,mas como disse antes levando em consideração o descaso com o futebol feminino no Brasil poder ver a minha estante com troféus e muitas medalhas compensa certas coisas que vivenciei.Com certeza hoje os dois titulos mais importantes falando em ordem pessoal foram os de melhor jogadora da temporada 2009/2010 artilheira dessa mesma competição e ter sido convocada pro All Star team (2009) na liga Jr.College Americana.Muitas portas se abriram para mim depois disso.
CF: Você está estudando no momento? Fale sobre a importância de conciliar os estudos com a rotina profissional.
Mary: O fator estudo para nós atletas mulheres, na minha opinião, é o maior benefício que temos, pois acaba sendo a única garantia e perspectiva de melhoria no nosso futuro. O futebol não é pra sempre, a profissão pós futebol será. Eu tenho uma bolsa integral e curso Kinesiology and Exercise Science and o que no Brasil seria uma faculdade de Educação Física, com uma graduacao especial em cinesiologia. É bem complicado de conciliar o futebol com os estudos, ainda mais aqui onde a disciplina é fator indispensável. Mas eu tenho a consciência de que muitas outras garotas queriam, hoje, poder estar no meu lugar. Eu sabia das dificuldades, mas me comprometi com isso.Tenho que fazer bem feito.
CF: O que você diria para as garotas que desejam viver do Futebol, para incentivar a luta por esse sonho.
Mary: É meio complicado dizer algo que sirva de inspiração para outras pessoas,especialmente para as meninas que querem ser jogadoras. A luta não é fácil para ninguém. Acho que o importante é isso, saber diferenciar as coisas e aceitar riscos.Sonhar é sempre preciso,mas jamais se enganar com as coisas ou pessoas. Ter a certeza de que será uma luta diaria, mas quando você briga por uma coisa que o seu coração pede, o resultado é sempre satisfatório. É Deus quem nos dá tanto o querer, quanto o poder de realizar. Com fé devemos prosseguir para o alvo.
CF: E você, o que sonha para seu futuro na profissão?
Mary: Não tem como fugir dessa pergunta, e a resposta é óbvia: Sonho e objetivos se fundem nesse momento, quero muito poder chegar a seleção. Tenho a total consciência de que não é uma coisa fácil, diante de tantas excelentes jogadoras de talento e experiência que o Brasil tem. Mas é justamente isso que me instiga, poder chegar a seleção pra mim, seria ter a chance de aprender de perto com essas jogadoras que eu tanto admiro e respeito. Pra isso preciso continuar trabalhando com seriedade e dedicação dentro do meu clube e deixar que as coisas nas mãos de Deus. Porque os planos deles pra mim são certamente maiores e melhores do que os próprios desejos.